“Nosso DNA é música eletrônica”, diz Edu Poppo, produtor de eventos que toma a frente do DGTL São Paulo 2022

Edu Poppo

Do gramado dos campos de futebol às luzes e batidas da pista de dança, Edu Poppo começou a trabalhar cedo, com 15 anos. Deixando as chuteiras de lado aos 20, ele tomou a decisão que levou ao rumo da vida que tem hoje: trabalhar com eventos. Começando com pequenas matinês, passando por casas noturnas, e agora grandes festas e festivais, Poppo consolidou sua carreira na música eletrônica entregando experiências de qualidade e tornando-se um dos formadores do que entendemos hoje como cena nacional.

Comandando a BE ON Entertainment há pelo menos 7 anos, ele tem a missão de ser referência na indústria de entretenimento. Não à toa, sua empresa tem parceria com labels internacionais como Afterlife e Diynamic e já realizou as festas Luv N Beats, Circoloco, Solid Grooves e Tribe Festival, bem como edição da Só Track Boa em Campos do Jordão (SP), a apresentação do alemão Solomun na capital paulista, e a turnê do Warung Beach Club (SC) pelo estado de São Paulo.

Além de promotor e produtor de eventos, Edu Poppo também mantém uma trajetória de sucesso como DJ, atuando em diversas festas pelo país e mantendo sua fama de excelente nome para o warm-up.

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Apostando em uma nova empreitada, ele se prepara para a nova edição do DGTL São Paulo, que ocorre em abril deste ano. Conversamos com Poppo sobre os detalhes de sua carreira e a missão de organizar um dos festivais mais prestigiados do mundo neste pós-pandemia, confira:

Oi, Edu! Sua história com o mercado de eventos começou muito cedo, quando você ainda era adolescente. Aos 15, era promoter. Aos 16, já coordenava a equipe das matinês.Tempos depois, com o boom da noite paulistana, você abriu sua própria empresa e passou a comandar um calendário semanal de festas na cidade de São Paulo. Pode nos dar detalhes de como tudo isso ocorreu e quais os caminhos sua carreira tomou ao longo dos anos?

“Tudo começou realmente aos 15 anos, quando eu era promoter cuidando da matinê do Moinho Santo Antônio com o Ricardo Amaral e com o Vitor Oliva. Como meu desempenho foi se superando a cada ano, passei a coordenar a matinê sozinho no ano seguinte. Aos 18 anos, migrei para promoção de algumas casas noturnas em São Paulo, na época atuando mais na Vila Olímpia, e, automaticamente, meu público que foi crescendo comigo também passou a frequentar os clubes paulistas. Nesse meio tempo, abri uma empresa chamada Eject Eventos, com a qual operávamos durante a semana, praticamente de terça a sábado, organizando uma noite em cada clube e desenvolvendo toda a parte promocional. Nosso papel era levar as pessoas às festas, e com isso fomos criando um mailing gigante para trabalhar. Vale lembrar que naquela época não existia rede social, era bem tête-à-tête, utilizando telefone, mala direta, convite em casa… então, esse trabalho era realizado com nosso público e amigos. 
Acho que tudo se assemelha com o exemplo de um jogador de futebol, em que ele começa numa equipe de base e vai crescendo até se profissionalizar. Acredito que eu fui assim também, passando por todas essas etapas, adquirindo conhecimento – mesmo que tomando porrada de todos os lados -, e conseguindo chegar mais preparado nos dias de hoje para poder seguir neste momento que estamos passando com alguns eventos.”

Você tornou-se DJ aos 19 anos, assumindo os decks para fazer o warm-up para grandes artistas em suas próprias festas, passando depois a figurar no line-up de outros eventos. Você acredita que essa posição auxiliou seu trabalho como produtor de eventos?

“Aos 20 anos abri meu primeiro clube em Campos do Jordão, o Target, e depois o levei ao Guarujá. Em cada noite, em média, três DJs convidados se apresentavam. Como eu gostava de música e estudava bastante, pensando também no orçamento muito apertado que tínhamos, comecei a me preparar para fazer um som de warm-up nas aberturas. Eu tinha muita vontade de tocar e também queríamos reduzir custos, sendo assim, passei a comandar minhas noites nas casas como primeiro DJ, e com isso comecei a chamar atenção musicalmente. Depois de um tempo vieram os convites de algumas agências em São Paulo para fazer parte do casting e me tornar profissional na carreira de DJ.
Com relação a essa posição, acho que ela nos auxiliou sim, porque todos nossos eventos giram em torno de grandes ou médios artistas. Como estudamos todas as músicas que o público está gostando, tentamos fechar o booking com DJs e produtores nacionais e internacionais para tocar em nossos eventos em cima dos hits e bom gosto musical.”

Assumindo a realização de festas em prestigiados clubes, como Disco, Café de La Musique, Laroc, Sirena e mais, além de label parties como Luv n Beats, Warung Tour e o showcase da Solid Grooves no país, você foi um dos players determinantes para o desenvolvimento da cena eletrônica nacional. Como enxerga a evolução da sua carreira?

Eu sempre fui a pessoa que cuidou mais da parte promocional dentro do meu grupo societário e pensando no desenvolvimento da cena eletrônica, isso vai de encontro ao que já comentei: além de tocar, cuidando da promoção a gente acaba entendendo o que o público quer ouvir, qual artista está em alta no momento, e qual nome daqui dois ou três meses vai despontar na cena. Estudávamos isso, escutávamos muita música e recebíamos referências de amigos e do nosso próprio público para desenvolver esses artistas dentro dos nossos eventos. Nosso DNA é música eletrônica e sempre fizemos música eletrônica, então uma coisa vai puxando a outra.

Sabemos de sua forte relação com três cidades: Guarujá, Campos do Jordão e São Paulo. Como elas foram determinantes para o crescimento dos eventos de música eletrônica? E por que esses locais?

“Há 15 ou 20 anos, o paulista tinha dois destinos conforme as estações do ano. No verão, descia para o Guarujá, e no inverno, seguia para Campos do Jordão. Acabei me especializando nessas praças com conteúdos que atendessem esse público. Já São Paulo foi a cidade onde sempre atuamos.

Apesar de quase ter se profissionalizado como jogador de futebol, você tem mais de 20 anos de carreira no mercado de eventos, reunindo milhares de pessoas em cada ocasião e colecionando cases de sucesso. Como é viver de eventos desde a adolescência?

É muito engraçado isso, porque joguei bola desde os 6 anos. Dos 15 aos 20 eu acabei praticamente me profissionalizando também no futebol, mas chegou uma certa hora em que tive que tomar uma decisão. Meu trabalho como produtor de eventos e DJ começou a consumir boa parte do meu dia e das minhas responsabilidades, e como na época eu ganhava mais dinheiro fazendo festas e tocando, esses foram os principais fatores para eu decidir parar com o futebol – uma coisa que amo até hoje e continuo jogando -, e continuar com as festas, que era o que eu realmente queria.”

Edu Poppo

Sabemos que toda trajetória profissional é feita de erros e acertos, mas no setor do entretenimento isso fica mais evidente. E que para construir uma reputação de excelência, como a sua, é preciso muito trabalho árduo. A resiliência é primordial para um profissional desse setor?

“Erros e acertos acontecem muito em diversas profissões. No mercado de eventos isso fica claro. Já cheguei a “quebrar” fazendo festas, porque organizar um evento de qualidade e seguindo as exigências que o público quer vivenciar tem um custo bem alto. A migração de promoter para desenvolvedor de grandes projetos com planilha e altos custos, ainda mais na época em que a cena eletrônica estava surgindo  – quando pequenos eventos que hoje são grandes festivais estavam saindo do chão -, se colocarmos na balança, foi dolorida financeiramente. Mas acreditar que isso é o que você quer pra vida, além da resiliência, claro, fazia com que, mesmo com problemas, você logo se levantasse e olhasse pra frente, focando naquilo que sabe, gosta e quer de fazer.”

Depois de grandes eventos consolidados, como Circoloco São Paulo, Solomun em São Paulo e Tribe Festival, você é uma das apostas para a nova fase do DGTL São Paulo que está sob nova direção. Como surgiu a oportunidade de organizar a edição brasileira de 2022 do festival?

“Foi uma oportunidade muito legal! Durante a pandemia, eu, Du Serena e Silvio Conchon paramos para nos reorganizarmos dentro do nosso calendário, o que deveríamos fazer ou não, no que poderíamos focar, então fizemos uma reflexão durante este período. Nós temos o Tribe Festival, mas sabíamos que ainda cabia um grande festival na nossa plataforma de eventos. Eu não esqueço, estávamos um dia comentando sobre os festivais do mundo todo, e sabíamos que o DGTL teve as últimas edições bem traumáticas aqui no país, mas mesmo assim se trata de uma marca muito forte, com grande apelo, é um festival muito especial. Então eu e Du perguntamos  ao Silvio se ele conhecia os holandeses donos do festival, porque tem vários contatos internacionais. Recebendo um “sim” como resposta, pedimos que enviasse um e-mail para termos a visão dos holandeses sobre  toda essa situação. Depois disso, vieram três reuniões e agora está aí oficializado: após praticamente dois anos, o DGTL no Brasil está se concretizando com uma nova edição sob nova direção.”

Vindo de uma repercussão negativa nas edições anteriores enquanto era organizado por outros produtores, o DGTL São Paulo já assume uma nova postura com seu olhar e de seus sócios – Silvio Conchon e Du Serena. Quais foram os maiores desafios que receberam quando assumiram a administração do festival?

“O maior dos desafios que estamos encarando nessa nova representação aqui no Brasil é entregar um DGTL de acordo como ele deve ser. Então, temos que pegar todos os defeitos que ele teve nas últimas edições brasileiras e melhorarmos, usando nosso know how e bagagem. Temos grande experiência com o Tribe Festival, por exemplo, principalmente o Du que encabeça este festival há mais tempo e tem grande conhecimento de produção; o Silvio com o artístico e eu com a parte comercial e promocional. É isso: o maior desafio é colocar na mesa todo nosso conhecimento e o que aprendemos com esse tempo de trabalho e experiência, para entregar da melhor maneira possível o evento em todos os itens, desde produção, comercial, promocional, comunicação e lidando com um time muito bom de marketing.”

O DGTL, com início na Holanda, é o primeiro festival circular de música eletrônica e tem um mote muito forte em torno da sustentabilidade. Como tem sido entender mais sobre isso e trazer à tona o conceito no Brasil?

Para nós, no caso, para mim, tem sido uma aula. Desde quando falamos com os holandeses sobre o pilar da sustentabilidade, estamos aprendendo muita coisa. Hoje estamos desenvolvendo um projeto com uma empresa super sólida no Brasil que só cuida do setor da sustentabilidade no festival, e estamos aprendendo tanto a cada dia que até acabamos nos arrependendo de não termos aplicado isso antes em outros eventos passados. Vejo que estamos numa transição, não falando somente do DGTL, mas hoje estamos plantando a sementinha da sustentabilidade em todos nossos eventos. Por exemplo, os próximos passos já ocorrem no próprio S.O.M Festival, em Trancoso, onde já estamos fazendo esse trabalho este mês. É uma adaptação que é necessária, não só para nós, mas para todos os produtores de eventos que precisam parar, respirar e estudar isso. A primeira coisa que pensamos, por exemplo, é:  “ah vamos trocar só a garrafinha de plástico”, mas vai muito além disso: desde uma bebida, que se comprada no Brasil economiza CO2. É um projeto muito amplo e vale muito estudar. Entender isso é excepcional.

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DJ, produtor musical e graduado em Comunicação Social pela ESPM SP, seu objetivo de vida é emocionar as pessoas e fazer com que elas sintam lá no fundo algo confortante. Seja tocando em festas, produzindo suas próprias tracks ou escrevendo textos, acredita que a música eletrônica tem o potencial único de unir pessoas e trazer bons momentos e experiências inesquecíveis.

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