Entrevista: DJ Léo Diniz responde como evoluir em meio a pandemia

DJ Léo Diniz

Já é de conhecimento de todos que o cancelamentos de festas tem sido um grande empecilho não só para os produtores de eventos, mas também para os DJs, principalmente para aqueles que estão em fase de transição na carreira ou que estavam alcançando ascensão na cena. 

Dentro desse cenário, batemos um papo com o DJ Léo Diniz, que teve sua estreia no Ame Laroc Festival no domingo de Carnaval, tocando no mesmo dia que artistas como Renato Ratier, Oxia e Guy Gerber e lançou a sua label Music is About Love – Mial no D-Edge no último final de semana antes do início da quarentena.

Em meio à pandemia, Léo Diniz conseguiu se reinventar e encontrar alternativas para manter-se em pé e nos contou como foi esse processo. Confira a entrevista completa:

Qual foi o primeiro pensamento que passou pela sua cabeça quando começaram os cancelamentos e bloqueios para abertura de eventos? 

Foi o pior possível… Eu tive alguns agravantes. Contraí o COVID-19 logo no começo, fiquei 10 dias internado e de repente me vi isolado em um quarto de hospital com a vida e saúde em risco. Minha empresa com um futuro incerto e a minha carreira e tudo o que eu havia conquistado dentro dela estava indo por água abaixo, ou seja, era um cenário de tragédia anunciada em vários setores da minha vida.

Durante minha internação fiquei consciente o tempo todo e não precisei ficar entubado (graças a Deus) então tive muito tempo ocioso. Usei primeiro pra tentar ver as coisas pelo lado bom (acredite, em qualquer situação sempre haverá uma lição a se aprender) e bolar estratégias e atitudes que eu deveria tomar quando saísse de lá. Montei vários esboços de projetos e fui anotando tudo, mas como premissa fundamental de tudo isso eu sabia que o maior desafio seria manter a cabeça no lugar, pois só assim me livraria dos pensamentos pessimistas.

Dj Léo Diniz
Dj Léo DIniz

Temos visto vários artistas comentando sobre bloqueio criativo causado pela ansiedade e perspectivas negativas que a situação atual trouxe, você também sofreu esse problema? 

Honestamente, não acredito que sejam bloqueios criativos, mas sim mentais. Como mencionei acima, nossa cabeça precisa estar bem, se só pensarmos no problema, não conseguimos desenvolver nada na vida, até tarefas mais simples podem se tornar difíceis. Nesse sentido, o que posso dizer que sempre funcionou no meu caso foi ocupar minha cabeça com novos projetos e desenvolver coisas que estavam ao meu alcance e que não custam nada… Acreditem, tem muita coisa que pode ser feita.

Eu também aproveitei o momento e usei algumas economias que eu tinha para montar meu home estúdio, com esse “tempo livre” resolvi apostar nos estudos também, coisa que não tinha muito tempo pra me dedicar antes da pandemia devido a minha escassez de tempo.

Qual o momento da virada para você nessa quarentena? 

Acredito que foi a postura que tomei logo que sai do hospital, com a cabeça cheia de planos e ideias, apostando na geração de conteúdos. De cara coloquei em prática o meu projeto de podcasts MIAL (Music is About Love) onde eu queria apresentar pra galera uma pouco das coisas que eu também escuto além das coisas que eu toco, isso acabou tendo um efeito muito bom que não estava nos meus planos. 

Explorar outros estilos no podcast me permitiu atingir novos públicos, uma galera que não consumia o que eu normalmente toco (o que é normal, afinal nenhum som é unanimidade). Nessa série tem sets de Deep House, Afro House, Melodic Techno, Progressive House, Indie Dance e ainda pretendo apresentar mais variações, hoje já são 12 edições.

Além da MIAL, ainda fiz mais 5 outras gravações para alguns canais e também um especial para minha agência, D Agency. Durante esse período também aproveitei pra intensificar os trabalhos de produções, foram mais 10 músicas finalizadas.

Qual foi a melhor parte em ter esse tempo livre para criar? 

Foi uma oportunidade de utilizar todo meu conhecimento, inovar e criar estilos diferentes do que eu estava acostumado. Ocupei o tempo livre das festas com muito trabalho, sem deixar de lado minha empresa. Montei uma programação em dois turnos, durante o dia na empresa e a noite dedicava pelo menos de 3 a 4 horas em projetos dedicados a minha carreira. No fim foi como uma terapia, já que meus finais de semana eram ocupados por festas, gig, etc.

Outra coisa inesperada foi o convite para integrar o casting da D.Agency, direto do Renato Ratier e do Stefano, algo que realmente me fez ver que todo o esforço valeu a pena. Sei bem o quão criteriosos eles são na escolha do casting… ser parte do D-Edge é uma honra enorme.

 Uma dica que você deixa para aqueles que estão começando ou que estão meio perdidos por causa da pandemia? 

Pra mim foi fundamental cuidar do lado mental, manter a cabeça no lugar para poder enxergar as oportunidades e alternativas que temos em nossas mãos ou que podemos desenvolver. Ative outras frentes de trabalho, estreite seu network com pessoas-chave, muitas estão mais ociosas e possuem mais tempo para conversar, além de que, em geral, estão mais acessíveis nesse momento.

Seja consistente e constante na apresentação de conteúdos, a todo momento a galera tem desenvolvido coisas novas, ideias, com certeza alguma delas pode te inspirar e te ajudar com as suas. Algo importante que percebi também nesse período é que o público mudou, teve acesso a muita coisa boa e diferente que antes não existia, talvez essa seja a hora certa de você arriscar em uma retomada com novas propostas.

Acompanhe mais novidades sobre o DJ Léo Diniz pelo Instagram.

Leia Também: Techno Live #1: confira as melhores lives das últimas semanas

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here