Entrevista: ItaloBros lança tech house com influências de samba pela gravadora de Solardo

ItaloBros
Foto: Divulgação

Eles são melhores amigos de infância, estudaram juntos e a paixão e o talento pela música os levou a sair de um pequeno vilarejo italiano para conquistar o mundo. Alessandro Spagnolo e Donato Laperuta formaram o ItaloBros há quase uma década e, pouco a pouco, foram encontrando seu espaço em um mercado tão competitivo.

Com um tech house mais melódico e ensolarado, inspirado na pequena Scalea — onde nasceram, se criaram e seguem morando —, chegaram agora a ter um release assinado pela Sola Nauts, gravadora do Solardo que foi inaugurada em setembro.

mister ruiz

Baseado nesse sucesso, conversamos com os DJs e produtores sobre suas origens, influências, a peculiaridade do seu som e as expectativas para um futuro sem crise sanitária, em que as pessoas possam voltar a dançar em clubes e festivais.

A biografia de vocês destaca o nascimento e a criação no pequeno vilarejo de Scalea. O quanto isso moldou o caráter de vocês a ponto de influenciar no som que vocês amam e produzem? E morar em um lugar tão pequeno e distante dos centros urbanos não acaba limitando o crescimento do projeto?

ItaloBros: A Scalea nos moldou, é verdade. Foi o nosso pequeno oásis, o nosso lugar seguro onde tivemos a oportunidade de experimentar, criar, crescer, sempre protegidos e apoiados. Isso pode parecer limitante e, por um lado, é verdade: estávamos longe dos grandes centros noturnos. Por outro lado, porém, aproveitamos para fazer um grande planejamento, para encontrar a impulsão que nos permitisse chegar mais alto do que pensávamos.

Como foi que vocês dois se conheceram? Amigos de infância inseparáveis? E o que os levou a buscar a vida na música eletrônica e, consequentemente, formar o ItaloBros?

Somos amigos de infância, de escola, de brincadeiras, de adolescência… A paixão pela música é o que nos unia, que agregava valor à nossa amizade. O projeto ItaloBros nasceu inicialmente com o objetivo de nos tornarmos conhecidos em nossa pequena cidade e entretermos nossos amigos. Graças às produções musicais, no entanto, temos conseguido expandir nossos horizontes e ampliar nossa visibilidade, até sermos conhecidos em todo o mundo.

Logo que eclodiu a pandemia da Covid-19, a Itália foi notícia como o primeiro grande epicentro da doença. Foi um período muito pesado para vocês? As coisas estão melhores agora? E como vocês enxergam o futuro da cena clubber em todo o mundo nos próximos meses e anos?

A eclosão da pandemia nos encontrou despreparados; obrigou-nos a permanecer fechados em nossas casas, sem qualquer certeza. Enquanto a motivação diminuía, a preocupação crescia não só para nós DJs e produtores, mas para todos os profissionais: promotores, dançarinos, empresários e donos de grandes clubes. Felizmente, depois de um ano, estamos recuperando o entusiasmo, tentando produzir, administrar nossas redes sociais e entreter nossos seguidores, mesmo à distância.

Embora no momento tudo pareça muito difícil, realmente esperamos que haja a possibilidade de reabrir os clubes em breve, como estão fazendo na China ou em Israel. Então, esperemos sair desse pesadelo muito em breve! As pessoas mal podem esperar para dançar novamente!

ItaloBros

O seu tech house costuma ter mais melodias, groove e influências das mais diversas, não sendo um som tão cru quanto o tech house padrão costuma ser. Em quem vocês se inspiraram para cunhar essa identidade sonora?

O clima ensolarado e quente do sul da Itália nos inspirou a criar um tech house diferente do padrão. Isso nos diferencia do resto dos produtores do gênero. Nossas influências old school batem nas melodias sul-americanas. Além disso, nossa identidade também foi moldada por DJs como Lucien Luciano, Todd Terry e outros que contribuíram para o nascimento do nosso som.

O EP “Wax” foi a estreia do ItaloBros pela Sola Nauts, label do Solardo relativamente bem nova. Como foi que rolou o convite? Já existem outros releases engatilhados?

Durante a primeira quarentena, no início da pandemia, enviamos por e-mail a demo para o Mark [Richards, membro do Solardo]. O feedback foi imediatamente positivo, a música foi muito bem recebida e estamos muito felizes com esse novo lançamento. Para os próximos, porém, temos novidades que ainda não podemos revelar.

Nas duas faixas, mas principalmente em “Late”, é possível perceber uma batida bastante carnavalesca. Vocês por acaso são fãs de samba e de música brasileira?

A música brasileira e o samba influenciam muito no nosso groove. Na verdade, somos fãs do estilo.

Por lançarem em uma gravadora de gigantes, imaginam que esse EP pode vir a ser o lançamento mais importante do ItaloBros até hoje?

É certamente uma grande oportunidade e também uma possibilidade de expandir o nosso alcance e visibilidade. Mas não devemos definir este lançamento como o nosso melhor. Nossa cultura e mentalidade nos impulsionam a melhorar a cada dia: este rótulo serve como um trampolim e como um novo começo.

Por Lau Ferreira

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Administradora paranaense, morou alguns anos em São Paulo e adora as várias opções de festas e eventos que a cidade oferece. É viciada em festivais, não tem medo de encarar um sozinha! Já passou por mais de 15 fora do Brasil, como Creamfields (UK), SXSW (Austin), Coachella (CA), Ultra (Miami e Croácia) e Mysteryland (NL). Divide suas paixões musicais entre techno e indie rock!

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