Go Girl #16: Conheça o trabalho da inspiradora Elisa Audi

elisa audi

Ter um background musical sólido e maestria num instrumento musical não são pré-requisitos para ser um bom produtor, mas definitivamente, ajudam muito — e com certa frequência, podemos encontrar artistas que agregam uma musicalidade maior por conta disso. É o caso de Elisa Audi, DJ, produtora e instrumentista que ainda está em processo de autodescoberta sobre quem é e quem pode vir a ser no meio do cenário eletrônico nacional.

Formada em piano erudito, Elisa se especializou em discotecagem e produção musical nos últimos três anos, e desde então, vem buscando encontrar sua identidade, que segue bastante volúvel e aberta para as mais diversas influências. Com seu projeto solo atual ainda engatinhando (teve outro, já encerrado, chamado Tcheliz, e integra o duo Mandala Vermelha, com Krys Freitas), começou a ter destaque com a ajuda da mentora e amiga Ella De Vuono, que foi sua professora de discotecagem, a apresentou ao cenário underground de São Paulo e, mais recentemente, recrutou Audi para os dois lançamentos de sua nova gravadora, Diversall Music, até aqui: uma collab na faixa “The Dive”, de EP homônimo, e mais recentemente, a responsabilidade de assinar o segundo release do selo, “Surfing Arps”. Confira nosso bate-papo com Elisa Audi:

elisa audi

Quem é a Elisa Audi e qual a sua história?

Meu interesse pela música surgiu devido ao meu pai, que era fanático por música e ficava me apresentando seus discos de vinil, passando o rico valor que a música possui. Quando eu tinha sete anos, ele trouxe um pequeno teclado para casa, e foi aí que tive o primeiro contato com um instrumento musical.

Estudei piano, com ênfase no erudito, por cinco anos, quando então fui cursar biologia na Unicamp, mas não concluí. Após cinco anos afastada da música, eu decidi voltar. Foi quando então, em 2018, cursei produção musical e discotecagem na AIMEC, em Campinas, fiz meu primeiro projeto, Tcheliz, que foi muito efêmero devido a minha mudança pessoal (tive outras influências e gosto musical), e tive a chance da minha primeira apresentação ter sido no Festival de Ativação Urbana no Rio de Janeiro, por ter ganhado um concurso para DJs. 

Conheci a Ella De Vuono, que foi minha professora de discotecagem e me levou para conhecer festas como Mamba Negra e Carlos Capslock, e foi aí que iniciei meu projeto como Elisa Audi. Em 2019, fiz um lançamento pela Hotstage Records, gravadora do Spuri com DJ Murphy, e tive a oportunidade de tocar na D-EDGE. Conheci a Krys Freitas, que é uma grande baixista, e criamos a banda Mandala Vermelha, que é caracterizada por nossas influências do rock setentista com timbres eletrônicos. 

Após assistir a uma apresentação em live do Martinelli, expandi meus horizontes para além da discotecagem. Desde então, tenho estudado formas de me apresentar em live. Busquei ter uma mentoria com o Eto Osclighter, que me mostrou os sintetizadores modulares e me ajudou a construir um setup inicial, e posteriormente com o L_cio, que me ajudou muito a ter um norte para tudo isso, e voltei a estudar piano para incluí-lo em ambos os projetos. Outra pessoa que me mostrou um lado bastante desconstruído da produção foi o Zopelar, que contribuiu muito para que eu produzisse de forma mais fluida. Minhas influências são essas, pessoas especiais que encontro no caminho e vão moldando a minha trajetória.

“Surfing Arps” é a faixa mais diferentona que você lançou até aqui, não é mesmo? Nela, fica muito claro o seu talento para o piano, e soa como uma adaptação de música erudita para o techno (o que já tinha sido observado na sua collab com a Ella). Como foi o processo de produção?

Haha, acredito que sim. Essa música surgiu após eu ter escutado “Surfing Acid”, do Tin Man, na qual eu gostei muito da levada que o baixo traz, e foi essa característica que eu trouxe para a “Surfing Arps”, dando uma ideia de ondas, de surf, junto com arpejos feitos pelo MINI V3 da arturia, criado com influência dos arpejos sintetizados pelo moog de Stephan Bodzin — uma influência que veio do erudito, pois ele era maestro. Usei o MPK Mini da Akai e o Ableton num momento de boom criativo, e saiu essa música.     

Foi a partir das aulas com a Ella De Vuono que vocês se tornaram amigas e parceiras musicais?

Sim! O meu círculo de amigos frequentava festas que já não condiziam mais com o que eu gostaria de seguir na música, e a Ella percebeu isso quando eu falava as festas que ia, mas levava um pendrive para a aula com um repertório totalmente diferente. Então ela me levou para várias festas que têm uma identidade sonora mais condizente com aquilo que eu quero produzir e seguir. 

Também enviava as músicas que eu produzia, e ela me ajudou muito com seus feedbacks. Me apresentou o Spuri, com quem posteriormente lancei, o Eto Osclighter e também a Krys Freitas, criando ainda mais laços de amizades — e foi a partir daí que ela me chamou para trabalharmos juntas no ramo da produção, e passamos a nos tornar grandes amigas, uma fortalecendo a outra.

“The Dive”, de Ella De Vuono, conta com o piano de Elisa Audi
  

Como você se encaixa dentro da proposta da Diversall? Existe uma identidade sonora que a gravadora busca? Em “Surfing Arps”, existiu alguma orientação?

A Ella sempre trouxe em seus sets músicas muito diversificadas, então é isso que a label busca, artistas que não tenham necessariamente uma identidade sonora fixa, mas que tenham músicas que toquem a sua alma, deem vontade de dançar, inspirem… É uma label bem diversificada, daí o nome Diversall. 

Não houve orientação para a “Surfing Arps”. Foi bastante fluida a minha parceria com a label, porque nós já trabalhávamos no estúdio dela antes da pandemia, então ela acompanhou todo esse meu processo de começar produzindo techno, posteriormente breakbeats e de repente house. 

Acredito que nesse processo, os meus lançamentos serão caracterizados por uma certa ausência de uma identidade sólida, pois tenho a tendência de trazer minha verdade em momentos diferentes da vida, com uma sonoridade inconstante por ter um gosto musical muito variado. Talvez um dia isso se solidifique mais, mas no momento se encaixa muito bem para o que a Diversall busca.

A Diversall também tem uma parte de editoria, em que cuida do music business dos artistas. Você está dentro disso? Como tem sido a experiência?

Sim. Tem sido uma experiência maravilhosa, pois a label foi bastante transparente comigo com relação às porcentagens de receita dos lançamentos, enviaram contrato e estão fazendo um belo trabalho de imprensa.

Está sendo um exemplo de profissionalismo no mercado e os resultados têm sido incríveis. Logo no primeiro lançamento da label, meu Spotify subiu de 30 para 300 ouvintes mensais através da “The Dive”, além dela ter entrado para inúmeras playlists.

Ter um background como pianista e estudante de música faz muita diferença para ser uma produtora de mão cheia? Diria que esse é seu principal diferencial?

Acredito que sim. Quando estudei piano no passado, já compunha algumas músicas, o que facilitou muito na produção musical anos mais tarde — e acredito ser um diferencial por não ver tantos artistas tocando piano em suas lives.


A pandemia influenciou em algo na sua música? Como tem sido esse período pra você e o que pode nos adiantar sobre seus próximos passos?

Influenciou demais. Voltei a morar com a minha família — sem eles eu não seria nada nesse período. Também tem afetado o ritmo que a Mandala Vermelha vinha tendo. Mas apesar de todo sofrimento que a pandemia nos trouxe, também pude me apoiar em meus privilégios de poder ficar em casa montando o meu estúdio. 

Tendo crises existenciais alguns dias, outros sentindo paz, momentos em que não conseguia produzir nada, outros em que produzia três músicas em um dia. Sempre tentando passar o que sinto para minhas músicas, pois é uma forma de me aliviar desses sentimentos, é terapêutico. 

Percebi que é o momento de voltar a dar foco central no piano e no formato de apresentação em live, pois sem as festas eu estou todo esse tempo sem treinar nos CDJs. Acredito que os próximos passos é continuar focada no momento presente, descobrindo cada vez mais minha identidade, lançando músicas e trabalhando nos meus projetos, para que quando tudo voltar, eu tenha uma bagagem mais sólida.

Ficha Go Girl #16 – Elisa Audi

Nome: Elisa Audi
Nasceu em: 16/08/1994
Música favorita da sua vida: Genesis – Supper’s Ready
B2B dos sonhos: com o Martinelli, apresentando no formato live.
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O quadro Go Girl, em parceria com a SOMUS, tem como objetivo dar destaque às DJs e/ou produtoras brasileiras que têm feito um trabalho incrível na cena.

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Tem duas paixões na vida: viagem e música. Com mais de 30 países na bagagem e muitas histórias em festivais, escolheu os cinco dias acampada na lama do Glastonbury e a mágica de trabalhar no Tomorrowland Bélgica como as experiências mais incríveis que já teve.

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