Go Girl #18: Camila Giamelaro, a mulher por trás de projetos como Binaryh, HIATO e GIG Agency

Camila Giamelaro

Camila Giamelaro tem a comunicação como sua arma mais forte. Desde cedo esteve envolvida com jornalismo e por essa esfera se tornou uma mulher atuante nas mais diversas áreas da cena da música eletrônica nacional, e em breve no cenário internacional.

No início dos anos 2000, Camila criou o blog Caixa Direta, que apesar de já estar desativado, foi de extrema importância para a disseminação da cultura da música eletrônica no Brasil. A artista então passou a se relacionar e colaborar com diversas plataformas, sites, revistas e portais de música eletrônica como DJ Mag, Play BPM, House Mag, além de ser coordenadora de conteúdo e mídias sociais da DJ Ban, uma das maiores escolas focadas em música eletrônica do Brasil. Também trabalhou na Tune Agency e na Clash Club, além de labels de grande importância dentro e fora do país, como a Bunny Tiger.

Atualmente Camila dirige, ao lado de Rene Castanho e BLANCAh, a label HIATO, focada em lançamentos de sonoridades voltadas ao Techno, Techno Melódico e Progressive, além de comandar a GIG Agency, que atende DJs e produtores de música eletrônica, oferecendo serviços de social media e assessoria de imprensa. Como se não fosse suficiente, Camila Giamelaro integra o duo Binaryh, ao lado de Rene Castanho, projeto focado em Techno e Techno Melódico, se mostrando grandes expoentes do cenário nacional e recebendo grandes suportes e reconhecimento fora do Brasil.

Hello Camila! Tudo bem com você? Conta pra gente um pouco de como tudo começou, de onde vieram suas primeiras referências artísticas, e o que te levou a criar seu blog, o Caixa Direta!

Posso dizer que, até um tempo atrás, eu era bastante eclética. Ouvia babas, break beat, psy trance, deep house e techno. Foi justamente por começar a frequentar as raves de psy trance que decidi criar o Caixa Direita, que foi um dos primeiros blogs do país a fazer cobertura de raves, entrevistas com artistas, review de lançamentos musicais… Eu era nova nesse meio e queria muito compartilhar o que eu tava absorvendo de informação musical.

Sendo mulher, comunicadora, artista e empreendedora, imaginamos que devam ter havido alguns obstáculos numa jornada tão ampla e multifacetada como a sua. Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na carreira e quais foram seus desdobramentos?

Acho que um dos principais foi fazer os donos de clubs e eventos entenderem que eu tinha virado uma chavinha dentro de mim: de frequentadora à profissional do mercado. 

Com o Binaryh não foi diferente. Em um mundo onde todo mundo é DJ, é difícil você se destacar, mas eu e o Rene fomos persistentes, botamos fé no projeto e mergulhamos de cabeça em um trabalho muito completo que unia o que os dois têm de melhor: a produção excepcional do Rene e o meu marketing e comunicação.

Eu sempre tive muita sorte de ter uma rede de contatos legal, com bastante gente que via que eu tinha talento pra unir tudo o que aprendi durante minha vida.

Quem são suas principais referências femininas na cena da música (eletrônica e no geral)?

Acho a Eli Iwasa a profissional mais completa: ela é DJ, empresária, modelo e faz tudo com muita maestria. Como artista, a Bjork é incrível e muito completa.

Qual é a história por trás da sua agência, a GIG Agency? O que te inspirou a construir esse business e qual seu foco atualmente?

Desde o Caixa Direita, meu maior sonho era poder unir os meus estudos de comunicação e marketing com a música. Eu passei por empresas como a DJBan, Tune Agency, Clash Club e nesse meio tempo escrevia pra muitos sites de música eletrônica, além de ter aprendido a como trabalhar um pouco de assessoria de imprensa. Quando recebi o convite pra trabalhar com a Pioneer DJ eu percebi que eu tinha bagagem suficiente pra criar a GIG Agency e então tive a chance de trabalhar com artistas como Boris Brejcha, D-Nox, BLANCAh, selos como o Bunny Tiger do Sharam Jey e eventos como Warung Tour São Paulo.

Hoje a GIG Agency oferece serviços de social media e assessoria de imprensa pro mercado de música eletrônica, atendendo DJs, produtores, eventos, clubs, gravadoras e quem mais estiver envolvido nesse mercado. Também oferecemos consultoria de imagem e comunicação.

E como surgiu a gravadora Hiato? Quais são os planos para o futuro?

A HIATO Music era um plano antigo nosso (Binaryh) e da Blancah. A gente precisava ter um lugar nosso, pra nos deixar à vontade pra lançar nossas músicas e também pra fortalecer nossos nomes em um outro âmbito. A gente tinha essa vontade de ter algo juntos já há alguns anos, mas foi só durante a pandemia (com um pouco de tempo pra poder se reunir e planejar) que a gente conseguiu tirar tudo do papel.

Hoje estamos com 4 EPs lançados e mais 3 engatilhados. Todos de artistas nacionais. Queremos valorizar artistas nacionais que estão fazendo um trabalho legal dentro do techno / techno melódico, progressive.

Agora falando do Binaryh, como surgiu a ideia do projeto? Como vocês chegaram nesse conceito?

Depois que eu e o Rene resolvemos morar juntos, comecei a dar meus pitacos nas músicas do Rene. Com o tempo fui me envolvendo no trabalho dele e ele viu que eu tinha jeito pra aquilo. A gente decidiu começar a trabalhar juntos assim, bem naturalmente.

O conceito vem de código binário mesmo. Hoje tudo é código binário. As pessoas que estão lendo essa entrevista na verdade estão enxergando a tradução de um código, que são as letras, as fotos… O “zero” e o “um” são tudo. Homem e mulher, Sol e Lua, positivo e negativo, sim e não. As duas partes de um todo.

Qual o papel de cada um de vocês dentro do Binaryh, e como vocês consideram que a personalidade de cada um influencia no duo? 

O Rene fica mais dentro do estúdio enquanto eu faço a nossa comunicação, mas ambos participam igualmente de cada uma das funções. Quando a gente começa a passar muito tempo junto de alguém, a gente tende a ficar bem parecido, então acho que na verdade um apoia o outro, levanta o outro quando um está pra baixo, complementamos ideias. O Binaryh deu certo porque temos o mesmo objetivo e o mesmo jeito de pensar sobre música, profissão e vida.

Conta pra gente como é seu processo de preparação pra uma gig, e se tivesse que escolher três momentos inesquecíveis no palco, quais seriam eles?

Na verdade, a gente não tem nenhuma superstição e nem fazemos nada de muito diferente. Tentamos ter um dia tranquilo e descansar bastante pra poder estar 100% no palco. 

Cada gig tem alguma coisa especial que aconteceu, então é muito difícil escolher só três. Talvez as gigs internacionais tenham seu brilho, justamente por ser em lugares que nunca imaginávamos tocar, como a Muralha da China. O calor do D-Edge é incomparável e foi uma honra poder abrir ou fechar pra tantos artistas importantes – como na noite em que fizemos o warm up pro Mind Against, de quebra fomos elogiados pelos próprios e até hoje mantemos contato. Estar no Caos é sempre especial, mas na primeira vez tivemos uma recepção muito surpreendente.

Sobre o live act do Binaryh… o que levou vocês a fazerem um set nesse formato? Como funciona a construção do set e quais instrumentos vocês mais costumam usar?

Verdade seja dita: o Live foi criado porque ninguém queria saber do nosso DJ Set. hahahahaha Queriamos mostrar que além do conceito forte, tínhamos também uma apresentação forte então fizemos o Live Act. Todas as músicas estão no Ableton Live e o Rene vai soltando na hora mesmo os clips pelo Push. O Rene também controla os synths pelo Toraiz AS-1 e eu ajudo a construir a música com o Toraiz SP-16. Ainda temos o RMX-1000 pra usar efeitos e mais alguns samples além do Launch Pad pra elementos extra.

Tem alguma novidade do Binaryh que você possa contar pra gente? Quais são os próximos passos do projeto?

Esse ano estamos completando 5 anos de carreira. Pra comemorar estamos produzindo nosso primeiro álbum, que vai contar com pelo menos 10 músicas. Temos planos de fazer algo grandioso pra esse marco.

Também estamos muito felizes por nesse momento ter recebido o convite pra fazer parte do casting de uma agência internacional. Então estamos ansiosos pra ampliar a carreira internacional.

Tudo pode acontecer logo, se a pandemia acabar.

Ficha Go Girl #18 – Camila Giamelaro

Nome: Camila Giamelaro
Nasceu em: São Paulo – SP
Música Favorita da vida: Bjork – All is Full of Love
Collab dos sonhos: Binaryh x Tale of Us
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O quadro Go Girl, em parceria com a SOMUS, tem como objetivo dar destaque as DJs e/ou produtoras brasileiras que têm feito um trabalho incrível na cena.

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Tem duas paixões na vida: viagem e música. Com mais de 30 países na bagagem e muitas histórias em festivais, escolheu os cinco dias acampada na lama do Glastonbury e a mágica de trabalhar no Tomorrowland Bélgica como as experiências mais incríveis que já teve.

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