Go Girl #20: A trajetória de Camila Jun na música

Camila Jun

Camila Jun é uma mulher que não cansa de se reinventar e aceitar novos desafios. Cercada desde pequena por muita música, a expressão artística, seja por meio da dança ou pela música, faz parte de sua vida desde seus primeiros anos.

Bailarina, DJ, empreendedora, publicitária… muitas palavras podem ser usadas para descrever a artista, mas também podemos resumir todas elas em seu principal desejo: conectar as pessoas por meio da música. Impossível de ser definida por um único adjetivo, Camila é reconhecida por seu amplo repertório em seus DJ sets, suas apresentações de dança, e claro, por sua própria label, que realiza eventos focados em House Music e vertentes como Soulful House e Disco House. Como se não fosse suficiente, Camila também é sócia de um bar em Brasília, que tem como diretriz principal fomentar a cena urbana na cidade.

camila jun

Conta pra gente um pouco de como tudo começou, quais foram suas primeiras referências artísticas e suas primeiras experiências com a dança e música no comecinho da vida!

Eu nasci em uma família muito musical, qualquer encontro de família era basicamente uma festa com pista de dança. Então a música, e a questão da pista de dança, sempre foi algo muito latente desde muito pequena. Minha família sempre escutou Disco Music, Soul e música brasileira, essas são as minhas primeiras referências de música e a Disco foi algo que me marcou muito porque sempre vi minha família inteira se esbaldar na pista de dança ouvindo Disco. Então essa foi uma referência muito forte na minha vida e trouxe isso no início da minha carreira. Com 6 anos de idade, eu entrei no ballet clássico e sai aos 17, então passei mais de 10 anos da minha vida dançando. Musicalidade, ritmo, entender sobre música, entender os tempos da música, estar muito ligada aos palcos e a expressão corporal me acompanham a vida toda. Mais do que isso, nesse tempo que eu era super jovem já dançava ballet e estava nos palcos, eu também sempre frequentei muita festa e festival, então sempre tive essa relação próxima com a música, com a pista de dança, com festas… então, é por aí.

Ouvindo os seus sets dá pra perceber que você é apaixonada por House Music e que além de tudo é uma fortíssima pesquisadora de tracks e referências dentro do gênero. O que a House Music significa pra você e como funciona seu processo de crate digging?

Acho que o fato de eu sempre ter escutado muita Disco Music me fez ficar mais próxima da House Music, não que uma seja originária da outra, propriamente dito, mas a gente sabe que elas têm laços fortíssimos. Então, definitivamente, por ter escutado muito Disco, isso me deixou mais próxima do gênero House, que sempre foi um gênero onde eu conseguia dançar mais, me expressar mais, apesar de frequentar festas e festivais e admirar DJs de outras vertentes da música eletrônica, o House sempre foi uma coisa muito mais genuína dentro de mim. A própria forma do ‘porquê’ ela começou a surgir, o que ela significou e expressa, por ser um gênero vindo de pessoas pretas, militantes, gays, então sempre tive uma admiração muito grande por como esse gênero começou, como ele se construiu, a musicalidade, como eu consegui encaixar isso nas minhas danças, no que eu gostava de ouvir. Realmente o House é uma coisa muito genuína de mim, fez parte de uma construção de identidade lá atrás. Mas, independente disso, eu sou uma consumidora de música 24/7. Escuto música o tempo todo, pra tudo, com referência, para relaxamento, para fazer atividade física, o tempo inteiro. Quando comecei a me profissionalizar na discotecagem, isso ficou muito mais sério, então, me comprometo toda semana a parar algum tempo com foco para pesquisa de música, fora isso, eu ouço música o dia todo! Estou sempre ligada nos selos, nas plataformas de streaming, compra e lançamento de música, a pesquisa pra mim é algo muito importante e que tenho um foco pessoal e profissional muito grande.

Sendo mulher, comunicadora, artista e empreendedora, imaginamos que devam ter havido alguns obstáculos numa jornada tão diversificada como a sua. Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na carreira e quais foram seus desdobramentos?

Só o fato de você ser um profissional que atua em diversas vertentes, você já tem muitos desafios e obstáculos. Obviamente, quando você é uma mulher, esses desafios se intensificam e, muitas vezes, são muito maiores. Por mais que pareça um pouco clichê, um pouco piegas, eu acho que um grande desafio quando você é uma mulher que atua em tantas coisas, é você absorver a ideia de que você é única, potente e que quanto mais você acreditar nisso e potencializar isso com estudo, profissionalização e pesquisa, você vai conseguir quebrar mais barreiras e mais obstáculos. É claro que existem barreiras e obstáculos, pelo fato de ser mulher, que não são intrínsecos só da nossa capacidade, são provenientes de uma questão estrutural da sociedade. Mas, ainda assim, eu acho que o maior desafio é com você mesmo. É entender que vai ser sempre melhor você focar na capacidade de aumentar a sua potência interna, não se comparar com ninguém, entender que cada trabalho é único e que o seu trabalho é muito bom e você pode potencializar ele mais ainda se você investir em você. Eu absorvo muito isso como mulher, entendo que minha potência é muito forte e única quando dou luz a ela. Mas, definitivamente, eu poderia enumerar aqui diversas situações não legais ou delicadas apenas pelo fato de ser mulher e atuar muito bem em tantas vertentes. Isso é algo que algumas pessoas não sabem lidar muito, mas eu sigo na minha melhor e na minha evolução como profissional.

Quais são suas principais referências femininas na cena da música (eletrônica e no geral)?

Eu poderia falar de várias mulheres incríveis, DJs e produtoras incríveis, mas vou pincelar alguns nomes que eu acho que são mais significativos e emblemáticos, pegando um momento muito atual, vou falar da Sam Divine, que é uma DJ e produtora que vem se destacando cada vez mais pelo trabalho incrível que de valorização da House Music que ela faz. Acho que ela consegue fazer de um jeito que deixa o House Music mais democrático, ela tem sido importante para as pessoas absorverem mais o gênero. Vou falar também da Honey Dijon porque para mim é uma mulher que representa muito da onde vem a House Music. Talvez não seja a DJ que eu mais escute, em termos de track e a pegada que ela faz, mas acho que ela é extremamente importante pelo profissionalismo e pela representação que ela traz do gênero. Vou falar da Jayda G também, que é uma DJ linda, maravilhosa e que eu admiro muito pelo fato dela tocar o que ela acredita, e eu acho isso muito importante quando se fala em profissionais mulheres, porque por conta desse machismo estrutural de tantos obstáculos que a gente tem por estar em um palco, as vezes muitas de nós somos polidas em tocar algo que a gente realmente gosta e acredita, e acabamos indo para outro lado. Acho que a Jayda G traz um pouco dessa confiança do tipo ‘eu vou tocar o que eu gosto, o que eu quero e é isso que eu acho legal’. Vindo para o cenário nacional, vou destacar a Aline Rocha que é uma artista incrível e vem fazendo um papel fundamental para a valorização da House Music aqui no Brasil, admiro sobre muitos aspectos e ela tem ganhado o mundo, então vou destacar o trabalho da Aline Rocha. Vou falar também da Eli Iwasa que, apesar de ser mais do Techno e outras vertentes, é uma DJ que constrói a tantos anos a posição da artista DJ mulher na cena de uma forma muito elegante, acho ela incrível e tem toda a minha admiração. Poderia falar de várias, mas acho que vou ficar por aqui.

Falando sobre sua label, a TONICA, conta um pouquinho sobre como foi o processo de criação, quais foram suas principais inspirações para esse formato e como você projeta o desenvolvimento da gravadora!

A TONICA realmente é uma label incrível e ela surgiu de um desejo muito genuíno de ter um lugar aqui em Brasília onde eu pudesse fazer a minha expressão máxima como artista sem ter receio de ter que ter um compromisso comercial, contratante, festas maiores, etc. Ela nasceu desse desejo de tocar House Music, Disco House, Soulful House, tocar o que eu gosto e ouço. Ela começou pequena, é uma festa pequena até hoje, mas ela foi ganhando uma aceitação absurda, tem um experiência incrível e um dos lugares mais alucinantes de Brasília e nós, eu e meu parceiro que fazemos essa label, temos muito cuidado de continuar que ela seja assim, uma festa onde a expressão artística e de gênero musical seja algo muito importante e que a experiência seja muito diferente, não só voltado para o comercial. A TONICA é realmente uma das filhas que eu construo com muito carinho, tenho muita admiração e orgulho. Tenho excelentes planos para ela no futuro… Na verdade para agora e para o futuro, mas ela está sempre sendo lapidada.

Qual foi a primeira festa da TONICA? Imaginamos que deve ter sido um momento muito especial!

De fato, foi um momento muito especial porque eu, como produtora de eventos, já havia produzido muitas festas, muitos festivais, coisas super grandes e expressivas, e a TONICA por ter essa paixão por trás, esse lugar de construção tão genuíno dentro de mim, quando foi a primeira edição eu fiquei super nervosa e era uma festa para 400 pessoas, então foi muito especial nesse sentido. Quando você faz algo que realmente está relacionado a sua paixão, a o que te move e te toca, acaba mexendo com você. A primeira edição foi muito emotiva, estava muito linda, está guardada na história e com certeza foi por isso que a TONICA se transformou no que é.

Falando sobre o bar em que você é sócia, o Brooklyn Bar, qual foi a ideia por trás do conceito do espaço, e como tem sido o trabalho lá nesse momento de pandemia?

O Brooklyn foi outra construção muito especial dentro da minha carreira porque também foi um ponto onde eu pude desenvolver outras aptidões criativas, artísticas, de entrega, empreendedorismo e experiência, então foi muito especial. Eu já morei um ano e meio em New York, fui fazer o meu mestrado lá e eu já amava a cultura de bares, festa e música, mas NY me acendeu ainda mais. Quando surgiu a oportunidade de construção do Brooklyn eu pensei ‘vamos lá, vamos criar algo muito legal’. E definitivamente, a gente conseguiu construir uma experiência completamente inovadora e inusitada na cidade. Todo mundo que vai ao Brooklyn fica encantado e fala ‘eu não sei onde eu estou, isso aqui não parece Brasília’, de uma forma muito positiva. Tive muito cuidado em construir a experiência aliada a música, pois é um bar extremamente sonoro e musical que valoriza o artista local, os DJs, a música e outros tipos de artistas também. Nós temos, dentro do Brooklyn, vários artistas plásticos, pessoas que trabalham com moda, design, arquitetura, então o Brooklyn veio para ser um hub urbano de arte, música e valorização do entretenimento. Foi uma construção muito especial e muito importante e, obviamente, nesse momento de pandemia foi uma batalha seguir aberto – claro que estivemos fechados no período de lockdown. Foi com muita coragem, planejamento e foco que conseguimos nos manter e estamos aí abertos novamente. O Brooklyn me trouxe muitos aprendizados profissionais.

Quais são seus próximos projetos e passos na carreira? Tem alguma novidade que possa contar pra gente?

Atualmente eu estou com um projeto muito legal de audiovisual aqui na cidade onde eu ocupo espaços urbanos super inusitados, com uma fotografia muito diferenciada e eu trago um conteúdo de música e entretenimento trazendo o House Music nesses espaços para o público. Foi um projeto que eu já tinha vontade de colocar em prática e definitivamente, nesse momento que precisamos estar conectados com o público de uma maneira ou outra. Esse projeto tem sido muito importante, lançamos o primeiro episódio agora em Maio e é um projeto muito importante porque tenho recebido feedbacks muito legais. Vamos lançar mais três episódios e com certeza esse é um projeto que vale ser destacado, é inusitado no que tange a tecnologia, temos usado algumas de captação de imagem muito legais e isso tem sido bastante importante. E novidade pro futuro é que SIM, estou adentrando o campo da produção musical, tenho estudado e produzido bastante e, até o final do ano, trarei novidades nesta área.

Que dicas você daria para uma mulher que sonha em empreender com arte e música, trazendo alegria e união para as pessoas?

Primeiro de tudo, é entender de onde vem o seu propósito para empreender com arte e com música. Qual é o seu propósito? De onde ele vem? De qual lugar dentro de você ele vem? Porque empreender e trabalhar com arte e música tem que vir de um lugar muito verdadeiro, muito genuíno, onde a arte e a música precisam ser os elementos principais. É óbvio que quando a gente fala sobre empreender e trabalhar, a gente pensa em empreender e trabalhar, a gente pensa em consequências financeiras, carreira e sustentabilidade. Mas o propósito precisa ser realmente propagar a arte e a música. A partir daí, o meu conselho é estude, se profissionalize, leve isso a sério, eleve o nível da sua entrega sendo uma artista profissional que tem técnica, estuda, se atualiza e acredita que a potência de uma mulher é algo que contribui e modifica o cenário para melhor. Acreditar na sua potência feminina e, paralelo a isso, se profissionalizar, estudar e entender que isso precisa ser levado a sério, que é um profissão que demanda técnica, estudo, foco, planejamento e, mais uma vez, entender que ser mulher artista é algo muito importante e que você deve sempre ficar orgulhosa disso e fazer o seu melhor.

Ficha Go Girl #20 – Camila Jun

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DJ, produtor musical e estudante de publicidade, seu objetivo de vida é emocionar as pessoas e fazer com que elas sintam lá no fundo algo confortante. Seja tocando em festas, produzindo suas próprias tracks ou escrevendo textos, acredita que a música eletrônica tem o potencial único de unir pessoas e trazer bons momentos e experiências inesquecíveis.

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