Milena Paiva, produtora artística dos clubes Laroc e Ame, conta sobre sua trajetória como mulher de sucesso na música eletrônica

Milena Paiva

A cena eletrônica ainda é predominantemente masculina, mas aqui no Brasil somos servidos de grandes nomes femininos. Uma delas é Milena Paiva, produtora artística dos gigantes clubes Laroc e Ame.

Apaixonada por música eletrônica desde nova, Milena Paiva trabalha na cena há mais de 15 anos e passou pelas mais diversas funções, começando como promoter, depois booker, stage manager e hoje em dia tem sua própria agência e é responsável pela produção artística das aberturas dos dois clubes em Valinhos, interior de São Paulo.

kalla orbis

Os clubes irmãos tornaram-se um ponto central da música eletrônica no Brasil. O mais velho, Laroc, completa 7 anos agora em 2022 e foi pioneiro na valorização do pôr-do-sol no país, com aberturas começando sempre durante a tarde. A casa já recebeu mais de 70 artistas diferentes, nacionais e internacionais, entre eles nomes como Above & Beyond, Kölsch, Hardwell, Axwell, Solomun e Vintage Culture.

O Ame Club é o irmão mais novo e underground, inaugurado em 2018 é considerado uma das casas mais vanguardistas do país. E puxou muito bem ao primogênito de Fauze Abduch e Silvio Soul, recebendo artistas de peso como Joris Voorn, Claptone, IPSO, Mathame e Adriatique.

Milena Paiva

Neste mês voltado para a celebração das mulheres, tivemos o privilégio de conversar com Milena Paiva sobre sua carreira de sucesso e como foi conquistar esse espaço de prestígio como mulher em clubes brasileiros tão importantes. Confira os aprendizados da trajetória desse mulherão do eletrônico brasileiro:

Como começou sua relação com a música eletrônica?

“Desde muito nova frequento baladas de música eletrônica, mas em 2004, quando comecei a frequentar as então “raves”, me apaixonei de vez. Daí em diante foi um curto caminho para que a cultura da música eletrônica me fascinasse. Era incrível estar num lugar onde as pessoas iam pela música e pelos amigos que ali faziam. Era um tempo em que os artistas ainda eram coadjuvantes e por essa razão eu amava estar no meio da pista, fechar meus olhos e sentir toda aquela sensação que só quem gosta de música eletrônica conhece.”

É muito comum que as pessoas não enxerguem as inúmeras possibilidades que existem para trabalhar com música sem ser o artista. Quando foi que você percebeu que essa era uma possibilidade muito grande e com uma grande variedade de trabalhos para realizar?

“Em 2006, nasceu a curiosidade de saber e entender como funcionavam as festas além da pista, então fui trabalhar como promoter de um clube em Campinas (SP). Passei a ter mais contato com os artistas e fui fazendo o famoso networking. Foi quando percebi que havia muitas possibilidades de trabalho é que resolvi – mesmo ainda sem entender exatamente como tudo funcionava – dar o primeiro passo, e então me candidatei para uma vaga de assistente de bookings na antiga Trade Sound em Sorocaba (extinta agência de artistas do grupo XXXPerience), na qual o Erick Dias, sócio do grupo, me deu a oportunidade de aprender como funcionavam as coisas na cena eletrônica.”

Você já desempenhou vários papéis na cena eletrônica ao longo dos anos: booker, stage manager, dona de agência e agora produtora artística do Laroc e Ame. Como mulher, como foi o caminho entre essas funções? Você sentiu maior dificuldade ou facilidade em alguma delas?

“Eu senti dificuldade em todas. Estamos falando de um meio predominantemente masculino, no qual, durante muito tempo, não tive outras mulheres em quem pudesse me espelhar. Mas isso nunca me desanimou! Foi mais difícil? Com certeza! Mas eu sempre tive certeza do que eu queria fazer e de onde queria chegar!

Quando comecei como booker, eu era a única mulher nessa função, as outras mulheres na agência ocupavam cargos de marketing, de tour manager, financeiro e logística. Logo percebi que era um tipo de trabalho que iria exigir uma certa firmeza no tom de voz, afinal 99% dos contratantes eram homens, mas eu mergulhei de cabeça nesse mundo de vendas e fui conquistando cada vez mais espaço. Em pouco tempo eu pedi uma oportunidade para trabalhar como stage manager nos festivais do Grupo No Limits e fui sentindo a resistência masculina diminuir. 

Acredito que eu consiga transitar muito bem entre os lados femininos e masculinos, sabendo usar da delicadeza quando se é necessária e usar muito também o lado mais duro. Em 2011, quando abri a minha agência, eu já conhecia grande parte desse mercado, então nessa questão foi mais tranquilo. Mas quando eu e a minha ex-sócia Monique Dardenne resolvemos mostrar a cara e encarar uma tour do Snoop Dogg, foi bem desafiador mostrar para a agência internacional que tínhamos a competência para cuidar de um artista tão importante. E adivinha? Conseguimos. Logo após tivemos a oportunidade com essa mesma agência internacional de realizar duas turnês com o rapper americano Pitbull e foi na base do suor e muita luta que o respeito foi crescendo. Após isso, senti que o preconceito foi diminuindo muito… não que isso ainda não aconteça nos dias de hoje, mas é bem pequeno.”

Em um determinado momento da sua vida, você decidiu dedicar-se integralmente ao cuidado de seus dois filhos. Essa é uma questão bastante presente para mulheres com carreiras de sucesso. Como foi para você essa decisão de pausar a carreira? E como foi voltar à atividade?

“Meu filho maior nasceu em 2012, entre turnês de artistas internacionais, e enquanto eu o amamentava em um dos meus braços, no outro eu segurava o telefone e negociava as tours. Foi muito desafiador fazer reuniões, negociar, cuidar de logística, cuidar de artistas e ao mesmo tempo não sair de perto do seu filho. Foi quando percebi que eu precisava dar um tempo, que naquele momento eu precisava me dedicar ao meu filho. É um tipo de trabalho que exige 7 dias por semana e 24 horas por dia. E perfeccionista como sou, optei por fazer uma pausa.”

Tendo passado por várias posições e empresas diferentes, como você vê o cenário da música eletrônica brasileira atualmente para mulheres? Existe um avanço em comparação ao início da sua carreira?

“Eu vejo um cenário totalmente diferente de quando comecei, vejo muitas mulheres conquistando seu espaço, mostrando que são capazes, que querem e sabem dar conta do recado. A resistência em contratar mulheres não é a mesma de quando comecei, mas eu sinto que ainda falta muito pra chegar no ideal. É uma luta diária.”

A votação da DJ Mag para os 100 melhores clubes abre no dia 9 de março e atualmente o Laroc ocupa a 12ª posição. Conta para a gente as suas três aberturas favoritas da casa para animar a galera votar no site!*

“Above & Beyond, Armin van Buuren e Boris Brejcha.”

E não vamos deixar de fora o Ame, que também está concorrendo e merece muito o voto dos fãs. Quais as suas três aberturas favoritas do irmão mais novo e underground do Laroc?

Kölsch, Artbat e Joris Voorn.”

Considerando toda sua experiência, qual a mensagem de Milena Paiva para as mulheres que querem entrar para a cena eletrônica brasileira?

“Persistência! Muitas vezes seu esforço vai precisar ser maior, mas eu te digo que vale a pena.

Com 2022 começando a voltar ao normal, o que podemos esperar de projetos novos?

Esperem artistas novos, esperem grandes nomes, esperem experiências novas! Estamos trabalhando muito para fazer um 2022 marcante.”

* A lista de melhores clubes do mundo da DJ Mag é composta por voto popular! A enquete abre no dia 9 de março e para votar basta clicar aqui: vote.djmag.com. A votação se encerra no dia 11 de maio e os resultados serão divulgados no dia 22 de junho.

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DJ, produtor musical e graduado em Comunicação Social pela ESPM SP, seu objetivo de vida é emocionar as pessoas e fazer com que elas sintam lá no fundo algo confortante. Seja tocando em festas, produzindo suas próprias tracks ou escrevendo textos, acredita que a música eletrônica tem o potencial único de unir pessoas e trazer bons momentos e experiências inesquecíveis.

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