Em entrevista, Maddix conta sobre conexão com o Brasil: "Quero explorar o baile funk dentro do techno"

Redação We Go OutRedação We Go Out
15/05/2026 14:04

O DJ e produtor holandês Maddix não precisou nem pisar no Brasil para se inspirar. Antes mesmo de embarcar para sua primeira viagem ao país — para tocar no Tomorrowland Brasil —, ele já estava no estúdio criando uma música influenciada por tudo que imaginava encontrar por aqui. O resultado foi "Favela", single que mistura sua assinatura sonora no techno com percussão brasileira e vocal local, e que estreou ao vivo exatamente no palco que a inspirou.

Com mais de 500 milhões de streams acumulados, cerca de 5 milhões de ouvintes mensais no Spotify e múltiplos #1 no Beatport, Maddix é um dos nomes mais relevantes da música eletrônica global. Em 2023, fundou seu próprio selo, Extatic (XTTC), em parceria com a Revealed Recordings. O artista já se apresentou no Ultra Music Festival, EDC, Parookaville, World Club Dome e Mysteryland — e voltou ao Brasil para a festa MEGA (Make EDM Great Again), em São Paulo.

O We Go Out conversou com Maddix sobre o processo criativo de "Favela", o que o atrai no baile funk e por que o público brasileiro libera algo diferente nele como artista.


Sua primeira viagem ao Brasil acabou virando uma música. Houve algum som, cena ou momento específico que fez você pensar: "isso precisa virar uma faixa"?

Na verdade, isso aconteceu antes mesmo de eu ir ao Brasil! Eu sabia que ia tocar no Tomorrowland Brasil, que seria minha primeira vez aqui, e só de pensar nisso já fiquei inspirado a criar uma música influenciada por essa experiência. Minha essência sempre foi a bateria — foi assim que comecei, antes mesmo de mexer em um synth —, então pareceu natural seguir por uma direção um pouco diferente. Finalizei a faixa poucos dias antes do Tomorrowland e toquei ela lá pela primeira vez. O público foi à loucura… ali eu já sabia que ela era boa (risos)!

Você comentou que tocar "Favela" pela primeira vez no Tomorrowland Brasil fez tudo parecer completo. O público brasileiro influencia suas decisões criativas de uma forma diferente?

Eu senti mais liberdade no Brasil. O público é tão animado, empolgado e aberto a coisas novas que eu podia tocar literalmente o que quisesse. Para um DJ, essa é a melhor sensação do mundo. Então eu acabo ficando mais criativo, mais empolgado também, e experimentando muita coisa diferente. Isso definitivamente influencia minhas decisões criativas, mas de uma forma muito positiva.

"Favela" nasceu da sua curiosidade sobre o Brasil e da sua conexão com a percussão brasileira. Se você pudesse escolher outro elemento da cultura brasileira para transformar em música eletrônica, qual seria?

Com certeza seria o baile funk. Os ritmos me lembram muito toda a minha bagagem com percussão, só que em outro tempo, outra velocidade. Tem algo muito cru nele que eu amo — o fato de muitas vezes ser feito com equipamentos simples, em quartos e home studios, e ainda assim movimentar bairros inteiros. Esse espírito me parece muito próximo de como o techno começou. Eu adoraria brincar com esse padrão dentro de uma estrutura techno entre 140 e 150 BPM e ver no que dá.

Você acha que o futuro da música eletrônica está em ser menos "purista" e mais aberto a misturas inesperadas?

Ah, com certeza! A cena está ficando cada vez mais aberta. Quando comecei a trazer um som mais influenciado pelo techno, muita gente dizia: "você nunca vai conseguir virar um DJ de techno". E eu nem queria virar um DJ de techno, mas naquela época os gêneros eram muito mais limitados. As pessoas estão sempre tentando classificar músicas, e sinceramente isso é a menor das minhas preocupações. No fim das contas, tudo se resume a uma sensação — e se aquilo me faz me movimentar, eu vou tocar. Além disso, é muito divertido misturar gêneros e usar diferentes influências no estúdio. Ainda existe muita coisa para explorar!

Qual foi o momento mais surreal que você já viveu em um show no Brasil?

Só vim duas vezes até agora, mas sim, eles estão certos quando dizem que é meio fora de controle! No meu último show em um clube em São Paulo, convidamos pessoas para subirem no palco para criar aquela vibe de setup 360°. Eu nunca tinha visto uma galera tão animada atrás de mim (risos)! Eles levaram bandeiras, ficaram pulando o tempo todo, cantando junto… foi absolutamente insano!!

Você já tocou em alguns dos maiores festivais do mundo. Ainda existe um top 3 pessoal de festivais onde você sonha se apresentar?

Claro! Coachella, porque é um festival diferente e com certeza um objetivo para mim. Burning Man, porque só de ver os vídeos parece ter uma vibe completamente insana o tempo todo — adoraria ver aquilo com meus próprios olhos e tocar lá. E Glastonbury, festival lendário no Reino Unido, que reúne artistas dos mais diferentes gêneros — seria muito incrível tocar lá.

Se você tivesse que escolher um top 3 pessoal de faixas eletrônicas das quais nunca vai cansar de ouvir, quais entrariam na lista?

Essa é sempre a pergunta mais difícil (risos)! Tiësto com "Adagio for Strings" — um clássico épico do trance, extremamente emocional, normalmente toco em todos os sets. Dustin Zahn com "Stranger To Stability (Len Faki's Podium Mix)" — uma faixa com mais de 16 anos que com certeza inspirou muita gente e que eu amo muito. E Eli Brown com "Believe" — muito mais recente, mas simplesmente amo o quanto ela é viciante e marcante.