O Festival DGTL é o exemplo de como trazer um festival para o Brasil

Em janeiro foi anunciado que o festival DGTL vinha ao Brasil pela primeira vez e nossa expectativa, assim como de muita gente, foi às alturas, ainda mais em um momento em que vários festivais estavam anunciando suas edições brasileiras (Dekmantel, Electric Zoo, Awakenings). 
Temos um carinho especial pelo DGTL pois fomos no ano passado em Barcelona e já sabíamos o nível de qualidade e comprometimento do evento. Ainda assim, havia dúvidas de como seria essa reprodução das características marcantes do festival, que preza pela sustentabilidade e um estilo industrial na estrutura e decoração, mas aos poucos fomos vendo que seria mesmo um evento seguindo à risca os padrões holandeses.
A começar pelo anúncio do line up, que contava com lendas do Techno, como Derrick May e Carl Craig, além de nomes difíceis de se ver pelo Brasil como Speed J, Vrill e Ryan Elliott. Mulheres sendo bem representadas por Tama Sumo & Lakuti, Eli Iwasa, Carol Mattos e Tati Pimont, nomes bem reconhecidos na cena mundial como Recondite e Âme, além dos brasileiros Ney Faustini, Davis, Zopelar, entre outros.
Toda essa introdução era só para lembrar como nossa expectativa estava alta ao chegarmos no festival, que rolou em uma fábrica em Barueri, no dia 6 de maio, para 9.000 pessoas. As formas de chegar ao local eram de carro, taxi, uber, cabify ou van particular. Não havia acesso de transporte público nem excursões oficiais do evento e o trajeto da região central de São Paulo até lá levava em torno de 30 minutos.

Festival DGTL

A estrutura do evento e a decoração não podiam ser mais assertivas. Dois palcos cobertos dentro de um galpão gigante (Generator e Modular), uma pista externa, Frequency, com bom espaço e duas mini-arquibancadas com fácil acesso e melhor visão do palco. Atrás dessa pista se encontrava alguns food trucks que compunham a praça de alimentação. Vale destacar as instalações e design dos palcos, feitas pelos artistas Ricardo Carioba e Muti Randolph, que iluminaram o evento e renderam ótimas fotos da galera.

Festival DGTL

Durante o decorrer da noite as pistas internas foram enchendo bastante e a mais prejudicada, na nossa opinião, foi a Generator. Durante as apresentações dos DJs Carl Craig e Derrick May estava quase impossível ficar por lá de tanta gente e pista quente. O jeito foi circular pela pista Modular, que tinha mais espaço na parte de trás, e ver o incrível set do DJ Recondite. Como não choveu, ir na área externa para tomar um ar e curtir o som impecável da pista Frequency era uma ótima opção. Foi por lá que vimos os incríveis sets do Ney Faustini, Tama Sumo & Lakuti e Ryan Elliott, que trouxeram um clima mais leve e dançante do que as pistas internas.

Festival DGTL

O DGTL acertou em muitas coisas, mas um que podemos destacar foi a limpeza do evento, já que não havia copos, garrafas e latas descartáveis. Cada pessoa tinha que comprar 1 copo por R$4, que podia ser ressarcido no final do evento e todas as bebidas eram servidas nos copos. Isso certamente deixou a pista mais limpa e transitável. Outro ponto positivo foi relacionado ao atendimento de emergência da festa. Soubemos de alguns casos de pessoas que passaram mal, mas que foram rapidamente atendidas pelos socorristas, que demonstraram ser bem atenciosos e competentes.
O festival teve poucos pontos negativos. Um deles foi o tamanho das filas dos bares, que mesmo com o sistema de cartões de recarga, demoravam muito tempo para atender a demanda, principalmente nos bares externos. Outro ponto também que achamos que prejudicou a festa foram os banheiros dentro do galpão entre as duas pistas. Mesmo sendo de fácil acesso, o cheiro que ficou impregnado por alí era bem desagradável para quem circulava por lá.
Depois de tantas horas de festa, podemos dizer que foi lindo demais ver o dia nascer com as pistas cheias, principalmente a externa, com uma energia inexplicável, música da melhor qualidade, pessoas vivendo uma experiência nova, diferente do que os festivais brasileiros (e até gringos) tem trazido para o Brasil. Local inédito, bem estruturado, line up diferenciado, evento sério e que mostrou respeito com o público. Queremos mais festivais como esse no Brasil: DGTL, Seja bem-vindo e volte sempre!
Veja só algumas cenas de como foi esse lindo festival:

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Administradora paranaense, morou alguns anos em São Paulo e adora as várias opções de festas e eventos que a cidade oferece. É viciada em festivais, não tem medo de encarar um sozinha! Já passou por mais de 15 fora do Brasil, como Creamfields (UK), SXSW (Austin), Coachella (CA), Ultra (Miami e Croácia) e Mysteryland (NL). Divide suas paixões musicais entre techno e indie rock!

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