Carlos Capslock anuncia festival de 15 anos com Radio Slave e BATU como headliners e mais de 30 artistas



Para quem ainda não conhece a Carlos Capslock, este é um bom momento para se apresentar. Nos últimos 15 anos, a festa construiu uma reputação sólida como uma das mais importantes da cena eletrônica paulistana — não apenas pela qualidade da curadoria, mas pela forma como misturou música, performance e política dentro e fora dos clubes. Agora, para celebrar a marca, a festa prepara uma edição especial do seu festival, marcada para o dia 19 de junho em São Paulo.
Tudo começou menor do que qualquer um poderia imaginar. Em dezembro de 2010, Paulo Tessuto reuniu um grupo de amigos numa noite na Trackers e formalizou o que até então era só uma brincadeira. O personagem que dava nome à festa foi tirado de uma foto aleatória da internet — um garoto nerd que virou alter ego e, com o tempo, símbolo de uma noite que não se levava a sério para poder ser levada a sério.
A Capslock cresceu na contramão do que estava sendo feito: enquanto o mercado apostava em exclusividade, ela apostava mais na abertura. A pista era de todos e isso virou política central da festa, que foi uma das primeiras da cena nacional a garantir entrada gratuita para pessoas trans, não-binárias e drags, numa época em que esse tipo de iniciativa ainda era pouco visto no ambiente noturno brasileiro.
O crescimento veio naturalmente. A Capslock saiu dos clubes e ocupou as ruas durante a Virada Cultural e o SP na Rua, transformando o espaço público em pista de dança. Chegou a fazer uma noite no OHM, espaço anexo ao Tresor, em Berlim. Pelo caminho, recebeu alguns dos nomes mais relevantes da música eletrônica mundial — Ellen Allien, DVS1, DJ Hell, Bjarki, Mama Snake, Juliana Huxtable entre eles. Em 2023, deu mais um salto ao estrear o formato festival, reunindo mais de 50 artistas em 19 horas de música.
Agora chegam os 15 anos, e a festa os chama de "baile de debutante". O primeiro nome confirmado no lineup é Radio Slave — pseudônimo de Matt Edwards, produtor e DJ britânico radicado em Berlim, fundador da Rekids e residente do Panorama Bar desde 2007. Edwards é conhecido por construir tensão lentamente em seus sets, camada por camada, até a pista ficar em êxtase.
Além dele, a Capslock já adiantou mais dois nomes que ajudam a expandir o espectro do lineup: Batu e Ananda. Baseado em Bristol, Batu é fundador da Timedance e um dos responsáveis por reposicionar a música de clube britânica nos últimos anos, com lançamentos por selos como XL Recordings e Hessle Audio e presença frequente em festivais como Dekmantel, Sónar e Unsound. Seus sets transitam entre techno e bass music com uma abordagem menos linear, herdando diretamente a tradição soundsystem do Reino Unido.
Já Ananda vem consolidando um percurso que combina pista e construção de cena: à frente da KODE desde 2016, criou uma das plataformas mais relevantes da cultura club queer no Brasil, ao mesmo tempo em que circula por clubes como Berghain e Tresor e por projetos como Boiler Room e Rinse. Sua leitura de pista, que cruza techno, breaks e influências latinas, reflete uma geração que entende o club como espaço estético e também político.
Além dela, IDLIBRA também integra o line-up anunciado. Diretamente de Olinda/Recife para o cenário global, a artista vem se firmando como um dos nomes mais relevantes da nova geração da música eletrônica brasileira. Desde 2016, constrói uma identidade sonora singular, que percorre o funk brasileiro, grime, ballroom, techno e linguagens experimentais, transformando a pista em um território de criação, inovação e afirmação cultural.
Os demais nomes do lineup ainda serão revelados nas próximas semanas, mas o que já está confirmado é suficiente para justificar a antecipação. Os ingressos do lote hacker — o mais acessível — já esgotaram em menos de 24 horas. Os próximos lotes estão disponíveis pela Ingresse.

Graduação em Marketing (USP); 1 ano de experiência em Marketing Digital na DHL (Alemanha); 12 anos de experiência nas áreas de marketing, mkt digital e trade. Onde encontrar: comemorando os fogos no mainstage