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D-EDGE Festival 2026: uma maratona sensorial que reafirmou o Brasil no mapa global da música eletrônica

Jode Seraphim
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Foram mais de 15 horas de música, cinco palcos ativos simultaneamente e uma sensação constante de estar dentro de algo maior do que um festival. O D-EDGE Festival 2026, realizado no dia 02 de abril, no Komplexo Tempo, em São Paulo, não só celebrou os 26 anos da marca, como traduziu, em escala ampliada, tudo aquilo que o D-EDGE construiu ao longo de sua história: experiência, curadoria e identidade.

Estrutura e design: o impacto começa antes do som

A chegada já dizia muito. Ao entrar no complexo, o público dava de cara com a imponência do palco Defected — uma estrutura visualmente dominante, marcada por LEDs intensos e uma estética futurista que dialogava diretamente com o DNA do clube.

O festival ocupou o Komplexo Tempo de forma total. Cada espaço virou pista, cada ambiente tinha uma proposta. Tudo funcionava: circulação fluida, áreas externas bem resolvidas, banheiros impecáveis – limpos, organizados e funcionais durante toda a maratona.


A cenografia seguiu uma linha industrial com forte presença de luzes em neon – majoritariamente verdes, azuis e vermelhas – contrastando com a escuridão e criando uma atmosfera imersiva constante. Era o D-EDGE em estado expandido.


As cinco pistas: identidade clara, execução impecável

Cada palco tinha personalidade própria — e todos funcionaram. Trazendo house music em estado puro, o Palco Defected teve design assinado por Muti Randolph – figura-chave na concepção dos visuais do D-EDGE –, e uma entrega visual arrebatadora.

Para representar o techno em sua forma mais crua e geométrica, com iluminação analógica e rítmica, o NAVE criou uma experiência hipnótica. Enquanto isso, o Moving trouxe uma pista versátil, navegando entre house, indie dance e tech house com fluidez.

Assinado pelo lendário DJ Marky, o palco DJ Marky & Friends foi o território do drum’n’bass, surpreendentemente lotado do começo ao fim. Por fim, a pista D-EDGERs, que trazia a essência do D-EDGE através dos DJs que ajudaram a construir essa história ao longo dos anos, era um ambiente mais intimista, open-air, com clima de comunidade e conexão direta com o público.

O resultado foi um festival diverso, mas coerente, com cinco universos diferentes conversando entre si.


Defected: house music com assinatura global

A pista Defected foi um dos grandes pontos altos. Aline Rocha brilhou com um set elegante e cheio de groove, conduzindo a pista com naturalidade. Já KiNK entregou um dos momentos mais surpreendentes do festival, com sua performance híbrida ao vivo – sintetizadores, improviso e uma leitura de pista impecável.

Mas o ápice veio com Carl Craig B2B Moodymann. Um encontro histórico. Detroit em estado bruto, traduzido em uma narrativa que passeava entre o soul, o techno e a house com profundidade emocional. Aula.

Ratier, o idealizador de tudo, fez uma de suas três performances após o B2B épico, segurando e mantendo a pista em êxtase com um set majoritariamente guiado pelo som do tech house. 

O palco foi encerrado com o B2B entre Ratier e Beltran, que também foi um dos momentos mais comentados – especialmente para quem ficou até o final da manhã. Um encontro de gerações, com surpresa, risco e entrega.


NAVE: techno em todas as suas formas

Se a Defected era calor, a NAVE era intensidade. Len Faki mostrou por que é um dos nomes mais respeitados do techno mundial. Seu set foi direto, poderoso, sem concessões – techno de pista cheia, com impacto físico.

Daria Kolosova manteve a energia lá no alto, com um groove acelerado e dinâmico, especialmente nas primeiras horas da manhã.

Nastia trouxe uma abordagem mais sombria e narrativa, conduzindo a pista por atmosferas densas e envolventes.

Outros momentos importantes vieram com Acid Asian, que entregou um hard techno ácido e energético, e o B2B de Anderson Noise com DJ Murphy, uma verdadeira aula de techno clássico, “made in Brazil”.


Moving: groove, versatilidade e pista viva

A Moving foi talvez a pista mais dinâmica do festival. Yamagucci foi um dos grandes destaques, com um set que misturou house, acid e techno de forma orgânica, mantendo o controle da pista do início ao fim.

Cour T. B2B Mishell aceleraram o ritmo com um tech house pulsante, mantendo o público em movimento constante.

E, claro, a classe melodica, elegante e emocional de Gui Boratto, que entregou mais uma performance refinada e cinemática.


DJ Marky & Friends: o drum’n’bass vive

A pista dedicada ao drum’n’bass foi um capítulo à parte. DJ Marky comandou uma pista lotada, mostrando a força do gênero no Brasil. Ao lado de nomes como DJ Hazard, o espaço virou um verdadeiro reduto de fãs – intenso, técnico e vibrante.

Foi uma das provas mais claras da diversidade do festival.


D-EDGERS: o espírito de comunidade

Mais intimista, o palco D-EDGERS entregou conexão. Sets como o do DJ Mau Mau com Glaucia Mais Max trouxeram aquele clima de “café da manhã na pista”, com house refinado e cheio de história.


Ratier: o fio condutor

Renato Ratier foi onipresente. Fez B2B com Lu.cian, set solo em slot desafiador e ainda voltou para um longo encerramento ao lado de Beltran. Em um festival com tantos nomes gigantes, ele ajudou a costurar a narrativa do evento.


Um festival que vira referência

Foram cinco pistas, mais de 50 artistas e 15 horas de duração. Mas, para além disso, o D-EDGE Festival 2026 entregou algo mais difícil de medir: pertencimento. Mesmo lotado, havia espaço. Mesmo gigante, havia conexão.

Foi um festival que reuniu diferentes gerações, estilos e públicos em torno de um ponto em comum: a música como experiência coletiva. E que certamente ficará para sempre na memória de quem esteve lá.

Uma prova de que a música eletrônica brasileira amadureceu, se sofisticou e hoje consegue dialogar de igual para igual com qualquer circuito global. E, acima de tudo, um lembrete: quando bem feita, a pista ainda é um dos pontos de encontro mais poderosos que existem.


E no Rio? O DE26 trouxe a mesma essência em outro formato


Na DE26 – a comemoração de aniversário no Rio de Janeiro – o formato foi outro: mais intimista, dentro do próprio D-EDGE Rio. Mas nem por isso, a experiência foi menos incrível. 

Três das principais atrações do D26 se repetiram: o histórico B2B entre Carl Craig e Moodymann, uma aula e um privilégio para qualquer fã de house e techno; KiNK, que, com seu live set em que constrói as faixas na hora, deixou todos de boca aberta; e Ratier, desta vez em um back to back com Leo Janeiro, trazendo um set mais groovado, repleto de referências disco.

A festa ainda teve as participações de Vivi Seixas, que focou em house e tech house com forte apelo rítmico, e do ascendente DJ e produtor carioca simo not simon., que representou a nova geração com sua mistura de house, indie dance, rock, soul e disco.

O resultado? Outra celebração singular da essência da música eletrônica. Falta muito para o ano que vem?


Sobre o D-EDGE

O icônico D-EDGE é reconhecido mundialmente por seu conceito inovador e qualidade na experiência musical e visual. Seu premiado e sofisticado design alcançou um equilíbrio perfeito entre som, luz e ambiente. Cada detalhe é cuidadosamente pensado para intensificar a experiência sensorial do público.

O club paulistano desbravou a região industrial da Barra Funda, em São Paulo, quando abriu suas portas na Rua Olga, em 2003, sendo responsável pela transformação da região em um pólo de importantes clubes da cidade. 

As histórias do D-EDGE confundem-se com o advento da música eletrônica no país, com o movimento que retirou o estilo dos guetos e do meio underground e o levou ao mainstream.



Jode Seraphim

Jode Seraphim

Graduação em Marketing (USP); 1 ano de experiência em Marketing Digital na DHL (Alemanha); 12 anos de experiência nas áreas de marketing, mkt digital e trade. Onde encontrar: comemorando os fogos no mainstage

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