Entrevista

Go Girl #9: Ella De Vuono acredita na diversidade em sua nova gravadora

Bruna Antero

Bruna Antero

23 de fevereiro de 2021

Go Girl #9: Ella De Vuono acredita na diversidade em sua nova gravadoraEntrevista

Ella De Vuono é do estilo de artistas que consegue impressionar tanto pela técnica nas suas mixagens (seja com seus quatro decks ou deslizando as mãos pelos toca-discos), quanto na sua capacidade de sentir a pista e fazer as pessoas dançarem.

Autêntica, performática e com seus sets sempre versáteis, Ella transita com leveza e naturalidade entre sonoridades que vão muito além de um único estilo: House, Disco, Techno, Breakbeat, Synth Pop, Electro e espaço para o que mais estiver afim de tocar.

Sua vasta experiência lhe rendeu os prêmios de 1º lugar no Desafio DJ Brasil de 2012 e vencedora do BURN Residency Brasil de 2019, além de se tornar a 1ª mulher a ser residente de uma das festas mais conceituadas de São Paulo, a Carlos Capslock.

Ella De Vuono


Recentemente, Ella de Vuono anunciou que lançará sua gravadora chamada Diversall Music no dia 12 de março, onde promete dar suporte para artistas emergentes que apresentam novas sonoridades, sempre de olho na diversidade.

Confira nosso bate-papo completo com a paulista Ella De Vuono:

1) Você foi a vencedora do BURN Residency Brasil de 2019, uma das principais competições de DJs, com força e visibilidade global. Como foi a experiência de ter participado e você já conseguiu colher alguns frutos com essa vitória?

Eu acho que ter ganho o campeonato foi o próprio fruto do meu trabalho, lembro de ouvir muito do pessoal de dentro da competição, que eu fui escolhida pela minha autenticidade, pois o mercado tá muito saturado de mais do mesmo.Acredito que o grande fruto que tenho colhido com o campeonato, foi a visibilidade, a imprensa no geral notou minha existência e comecei a ficar muito mais ativa nos principais sites de música eletrônica.

2) Além das lives com suas apresentações na plataforma Twitch, você também fez algumas transmissões no Instagram batendo um papo com alguns artistas e players da cena eletrônica, como Tessuto e Aline Rocha. Quais foram os principais aprendizados que você adquiriu durante essas conversas e como você vê esse seu lado de trazer um conteúdo além da sua música?

Ficar 1 hora trocando ideias com pessoas como essas que vocês citaram, além deles, Camilo Rocha, Mary Olivetti, L_cio e minha avó Célia, é por si só uma experiência muito enriquecedora. Os aprendizados foram muitos, mas acho que o principal é ver que me envolvo com as pessoas que eu realmente admiro, como profissionais e seres humanos. Não penso em números, mas sim na qualidade do conteúdo gerado.Eu sou muito criativa, tenho muitas ideias para trazer conteúdo e acho que estou caminhando bem com meu quadro "Proseando" no Instagram. Poucas pessoas sabem, mas estudei teatro e TV, fui atriz por uns anos e também cursei psicologia, então esse meu lado além da música é bem inerente a mim, sempre fui expansiva e diversa, a música é a principal de muitas facetas que tenho. 

3) Você lançará em março o selo e editora Diversall Music ao lado da Maíra Gracini, que tem como propósito valorizar a música e a diversidade, trazendo novas sonoridades de artistas que estão emergindo, certo? Como vocês estão planejando colocar em prática esse conceito e já pode citar alguns artistas que devem lançar pela gravadora?

Certinho! Para ser mais específica, dia 12 de Março vai rolar nosso primeiro lançamento. É meu primeiro EP - The Dive - com duas faixas inéditas, bastante experimentais e com BPMs bem baixos. Excelente pergunta, pois colocar em prática é um grande desafio, porque a ideia é ser um meio para artistas que estão emergindo lançarem suas músicas, mas é muito difícil de encontrá-los! O trabalho que mais tem me consumido tempo é o de descobrir esses artistas. Em Abril teremos o segundo lançamento da Diversall que será um single da produtora e DJ, Elisa Audi, que é um grande talento que apostamos muito na carreira dela. E que, inclusive, chamou a atenção de um grande produtor de nossa cena, que acabou de fazer um remix de uma música dela que lançaremos em Agosto. Tem muita coisa que pode rolar, a maioria de meus lançamentos será pela minha label e estou com muitos, mas prefiro ir contando aos poucos. 

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4) Você tem um perfil de performance que vai além da discotecagem, que apresenta uma personalidade única no palco. O que você está construindo como show para quando as festas voltarem? Vai seguir na linha dos seus sets online ou terá algum outro estilo musical e visual?

Em relação ao estilo musical, eu já tenho essa identidade bem abrangente que explora diversas vertentes em um único set. Como eu sou DJ, ou seja, leio a pista e escolho as músicas na hora sem ter nenhuma pré-seleção ou playlist pronta, então o estilo musical vai de acordo com o evento, o horário, o line up, o local, o público e assim por diante. Eu não tenho a cultura de montar um show e repetir aquele mesmo enredo durante uma temporada.

Eu passei muitos anos construindo minha identidade e lapidando minha técnica, para ter propriedade e autonomia de fazer cada apresentação, única. Por isso sou frequentemente abordada por pessoas que me falam que já me viram tocar muitas vezes e todas as vezes foram experiências completamente diferentes e inesquecíveis. Não digo que seguirei a linha dos meus sets online, pois os faço pensando nas diversas situações que as pessoas estão enquanto os ouvem, muitos cozinham, limpam a casa, colocam para trabalhar. Energia completamente diferente de fazer um set para uma pista de dança. Mas independente disso, sei que todos são únicos, exatamente porque o foco é a música e não eu, sou uma mera executora. 

5) Falando em diversidade dentro da cena eletrônica, quais artistas que assinam essa representatividade você mais se inspira?

Eu vejo a representatividade não apenas pela aparência, mas pela postura do artista de praticar aquilo que prega. Hoje, com esse lamentável BBB, vimos o quão gritante é a quantidade de artistas que levantam uma bandeira, que usam de movimentos para se popularizarem, mas suas atitudes são opostas às respectivas retóricas.Os que me inspiram na cena eletrônica por serem genuínos e coerentes, para além de sua marca, são: DJ Marky, The Blessed Madonna, Dave Clarke, Jayda G, Honey Dijon, L_cio e Tessuto.


Ficha Go Girl #9 Ella De Vuono

  1. Nome: Rafaella De VuonoNasceu em: Campinas/SP
  2. Música favorita da sua vida: Marvin Gaye - Whats Going On
  3. B2B dos sonhos: Ella De Vuono b2b DJ MarkyAcompanhe mais no Instagram!

Aproveite para saber mais sobre a gravadora Diversall nessa matéria e ouça a Ella de Vuono no Spotify:

Leia mais: Go Girl #8: Carol Fávero e a força das mulheres na cena eletrônica atual

Bruna Antero

Bruna Antero

Pós-Graduação em Engenharia de Marketing (USP); Graduação em Administração (UFPR PR); 13 anos de experiência nas áreas de marketing, trade e vendas. Onde encontrar: em algum palco underground explorando novos artistas e em alguns afters

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